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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Em quem dói o preconceito?


Ponho-me a questionar se somos mesmo vítimas do preconceito. Quem com ele sofre, quem ele fere? Nós, que muitas vezes somos alvo de olhares inquisidores e até de palavras ofensivas, mas tocamos nossas vidas adiante, ou quem sente o preconceito, e perde seu tempo com sentimentos inúteis?
Naturalmente, é desagradável e até frustrante perceber que algumas pessoas não nos vêem “com bons olhos” e, muitas vezes, até mesmo sem nos conhecerem, sem conhecerem o nosso caráter. Contudo, todos os olhares negativos podem ser convertidos em força, em vontade de mostrar ao mundo nossa verdadeira cara e caráter.
Ao alvo, o preconceito é efêmero. Ao intolerante, é parte dele. O preconceito é um peso que o preconceituoso carrega. É um fardo que, de tão pesado, teima em tentar derrubar sobre os outros. Mas não consegue. É intransferível. Se não for abandonado, condena o proprietário a carregá-lo sempre consigo.
Levemos nossas vidas adiante, sigamos nossa estrada com ou sem o aval dos gregos ou dos troianos. Vamos viver, e deixar “que o preconceito deles doa neles mesmos”.

domingo, 10 de outubro de 2010

Segundo seu vice, Serra vetará a PLC 122.

O deputado Índio da Costa, vice de José Serra na chapa do PSDB à presidência da república, declarou que, se eleito, Serra vetará a PLC 122. Em entrevista à coluna Informe do Dia, Índio disse que isso foi um pedido dos evangélicos. O pastor Silas Malafaia, da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, disse que foi ele que falou com Índio. Logo quem.
Esse tal de Índio é tão ignorante que falou que se a PLC 122 for aprovada um dono de restaurante pode ser preso por impedir que gays façam sexo dentro do seu estabelecimento.
Entre outras coisas, eles (Índio e Silas) alegam que a PLC 122 vai contra a liberdade de expressão. Reflitamos: se um pastor estivesse em uma igreja pregando que alguma etnia (índios ou negros, por exemplo) não tem alma e deve ser eliminada, ele certamente seria punido, certo? Isso significa que não há plena liberdade de expressão. E ninguém se opõe a isso - nem deve.
Diante disso, fico triplamente indignada:
1 - Como cidadã brasileira, porque pessoas que querem presidir meu país não acham que todos os cidadãos devam ter os mesmos direitos - a lei não diz que são todos iguais?
2 - Como homossexual, porque eu nunca quis nem fiz nenhum mal à vida dessas pessoas, mas elas insistem em atrapalhar minha vida.
3 - Como cristã, porque esses homofóbicos vestem uma fantasia de cristãos, pregam o ódio e se esquecem de que Jesus sempre pregou o amor - e nunca falou que um amor era certo e o outro errado.
Esse tal Índio da Costa já foi alvo da CPI da Merenda, cuja investigação concluiu que uma licitação causou prejuízo aos cofres públicos. Super gente boa. Sobre o pastor Homofobia, nem vou falar nada. Google.
Entre outras fontes, para escrever este post li isto e isto. Recomendo ler.
Depois de tudo isso, não vou pedir votos pra Dilma. Não gosto dela e não voto no PT. Quero pedir não-votos para Serra e Índio. Só isso.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Voltando!

Depois de um ano e meio sem postar nada, resolvi reativar este blog. Tentarei não sumir de novo.

Nesse tempo em que estive "fora" aconteceu tanta coisa... só neste ano, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi reconhecido por três países: Portugal, Islândia e Argentina. Enquanto isso, na nossa democracia hipócrita, tramita um projeto de lei que visa proibir a adoção por casais homoafetivos. Totalmente absurdo, mas coerente com um povo que elege certas pessoas - vocês sabem de quem (no plural) eu estou falando. As mesmas pessoas que deram a vitória do reality show global a um cidadão totalmente homofóbico.
Por falar em vencedor de reality show, quero dizer que fiquei muito feliz com a eleição do professor Jean Willis à Câmara Federal, pelo estado do Rio de Janeiro. Claro que não é através das eleições que vamos mudar o mundo e - caindo no clichê - uma andorinha só não faz verão, mas acredito que o mandato do camarada Jean será mais um instrumento de luta pelos direitos civis dos GLBT's e pela aprovação da PLC 122.
Falando em casamento entre pessoas do mesmo sexo, Adriana Calcanhotto casou! Está parecendo blog de fofocas, eu sei, mas é só pra quebrar um pouco a seriedade. A propósito, está sendo lançado o DVD Adriana Partimpim Dois, sob direção de Suzana de Moraes - a esposa. Ainda não assisti, mas tendo assistido ao primeiro (Adriana Partimpim - o show) e escutado o cd, conclui-se que só pode estar lindo/ ótimo.
Falei de um monte de coisas e não me aprofundei em nada. Mas é só pra dizer que eu voltei (e agora é pra ficar/ porque aqui/ aqui é meu lugar... hehehe). Ia postar aqui o clipe de "Gatinha Manhosa", mas "A incorporação foi desativada mediante solicitação". Então, procurem no You Tube.
Por hoje, é isso.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Blogueiro prega o ódio afirmando-se cristão

Vi um blog agora a pouco que até seria engraçado, se não fosse criminoso. Como não sei o que pode ser feito para combater os crimes de calúnia e difamação cometidos pela internet, estou postando aqui, para que alguém vocês possam ver os absurdos que esse cidadão diz, sob o pretexto de que "Jesus é o caminho".

Eis o link: http://jurisdiquez.blogspot.com/

Uma coisa que achei curiosa, é que esse cidadão se diz mensageiro da verdade, mas não tem coragem nem de falar o próprio nome. O único nome citado é o de Fernando Dalvi e ,fazendo uma busca no Google por esse nome, só encontrei uma mensagem em um fórum sobre compositores sertanejos, o que me faz duvidar que sejam a mesma pessoa. Vejam só a ironia: qualquer cidadão de bem que esteja somente preocupado com a verdade faz questão de dizer quem é, de mostrar a cara. Se ele não tem medo da verdade, por quê se esconde?

Quanto ao conteúdo do blog, os crimes são vários. Inúmeras difamações. Sob argumentos ridículos e nada plausíveis, pessoas públicas como Hebe Camargo, Vitor & Léo, Los Hermanos, Little Joy, Cássia Eller e Xuxa são acusadas de pregar o satanismo. O cidadão também prega a xenofobia, quando afirma que a cerveja Brahma homenageia um "demônio do hinduísmo".
Também são citadas empresas: Lacta, Banco Santander, Skol, e várias outras.
Mas de todas as agressões cometidas por esse cidadão, a mais freqüente é a homofobia. Ele fala sobre uma suposta Máfia Gay, nos chama de satanistas e de classe do mal.

Bem, se eu fosse citar aqui todos os absurdos que esse covarde fala em seu blog, perderia muito tempo. Os links estão aí, vejam e pensem a respeito.

Esse cidadão fala muito em "Quem é cristão não faz tal coisa", mas ele só esqueceu de um detalhe: quem é cristão não odeia. Não tenho absolutamente nada contra religiosos, nem nada contra evangélicos, tenho a minha religião (que inclusive também é citada no blog). Mas imagino que Jesus deva estar ofendidíssimo com o uso que esse senhor faz de Seu nome. Ele tanto fala em pecados, mas está cometendo o maior de todos, está usando o nome do Senhor para pregar o ódio, em suas diversas formas.

Se alguém sabe o que pode ser feito contra tais crimes, por favor, vamos fazer alguma coisa.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Professor acusado de fazer apologia ao homossexualismo

Hoje, assistindo ao Jornal Hoje, na Rede Globo, uma manchete me deixou de cara. Esperei para ver a reportagem em si, e pude perceber o quão absurda foi essa situação.

Para quem não assistiu à reportagem, vou contar resumidamente. Márcio Barrios, professor de Língua Inglesa em uma escola públida da Brasilândia, estava trabalhando com seus alunos do Ensino Fundamental os verbos no passado. Queria tornar a aula mais interessante e, como a maioria dos bons professores, usou uma música como exemplo do conteúdo. A música escolhida por ele: "I kissed a girl", da Katy Perry.
Depois dessa aula, Márcio foi afastado da escola (isso foi em novembro). Seu contrato não foi renovado para o ano letivo de 2009. O motivo alegado? A música fazia apologia ao homossexualismo.
Apologia ao homossexualismo? Isso existe?

A Secretaria de Educação apoiou a decisão da escola, pois considerou que se tratava de uma apologia do uso de álcool e do homossexualismo.

"Reflete um comportamento inadequado e, portanto, acabou do jeito que acabou" disse José Valente, Secretário de Educação do DF.

Eu até concordo que essa música seja inadequada para adolescentes, por falar em alcoolismo, mas agora falar que faz "apologia ao homossexualismo" é uma estupidez grandissíssima. O senhor José Valente (sobrenome irônico) disse que "reflete um comportamanto inadequado". Inadequado é beber ou inadequado é uma garota beijar outra garota? Se foi isso o que ele quis dizer, inadequado é ele, que não tem vergonha de ser homofóbico em rede nacional.

"Porque eu ia sempre com o cabelo de uma cor diferente. As roupas bem modernas, bem diferentes. Isso causou um impacto sim. Elas nunca falavam na minha frente, mas eu percebia", disse Márcio.

Em minha opinião, está claro que esse professor sofreu discriminação. Creio que este seja um bom momento para demonstrarmos o nosso repúdio a essa situação que poderia - e pode - acontecer com qualquer um de nós.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Campanha contra a censura no Google/ Blogger


Caríssim@s, já devem estar à par da censura que alguns blogs Sáficos estão sofrendo, absolutamente sem justificativa plausível. Para saber mais sobre isso, leia uma matéria publicada No Parada Lésbica.
As gurias criaram um abaixo-assinado virtual, como forma de protesto contra esses abusos do Blogger. Para assinar, aqui.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Índios gays são discriminados

Um dia, conversando com uma quase-antropóloga, que estuda questões ligadas a gênero e sexualidade, perguntei se havia muitos estudos sobre homossexualidade entre povos indígenas. sua resposta, para mim, refletiu mais do que a sua desinformação, mas o desinteresse da antropologia por esse tema. Encontrei essa notícia, acho que vale a pena:

Índios gays são alvo de preconceito no AM

Entre os índios ticuna, a etnia mais populosa da Amazônia brasileira, um grupo de jovens não quer mais pintar o pescoço com jenipapo para ter a voz grossa, como a tradição manda fazer na adolescência, nem aceita as regras do casamento tradicional, em que os casais são definidos na infância.



Esse pequeno grupo assumiu a homossexualidade e diz sofrer preconceito dentro da aldeia, onde os gays são agredidos e chamados de nomes pejorativos como "meia coisa". Quando andam sozinhos, podem ser alvos de pedras, latas e chacotas.
Três ticunas da aldeia Umariaçu 2, na região do Alto Solimões, em Tabatinga (1.105 km de Manaus), contaram para a Folha como é a vida dos homossexuais indígenas na fronteira com a Colômbia e o Peru.


A população ticuna no Alto Solimões soma 32 mil índios. Na aldeia Umariaçu 2, que fica no perímetro urbano de Tabatinga, vivem 3.649 índios ticunas, 40% com menos de 25 anos. Entre esses jovens, pelo menos 20 são conhecidos como homossexuais assumidos.
Segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio), há registros de gays também nas aldeias de Umariaçu 1, Belém do Solimões, Feijoal e Filadélfia.


"Isso é novo para a gente. Não víamos indígenas assim, agora rapidinho cresceu em todas as comunidades. São meninos de 10, 15 anos", disse Darcy Bibiano Murati, 40, que é indígena da etnia ticuna e administrador substituto da Funai.
Marcenio Ramos Guedes, 24, e seu irmão, Natalício, 22, pintam o cabelo e as unhas e fazem as sobrancelhas. Trabalham como dançarinos em um grupo típico ticuna que se apresenta nas cidades da região.


Marcenio diz que brigava muito com o pai e que saiu de casa aos 15 anos. "Fui para Tabatinga trabalhar como "empregada doméstica". Eu fazia comida, passava roupa, lavava."
Ao voltar para casa, uma construção de madeira com dois cômodos, onde mora com quatro dos sete irmãos e os pais, Marcenio resolveu cuidar dos afazeres domésticos. O grupo de dança foi criado em 2007, com apoio da família.


"Não sofro discriminação por dançar, todo mundo respeita, assiste. Sofro preconceito [de outros jovens] na aldeia. Se falo alguma coisa, querem me bater, jogar pedra, garrafa."
Natalício diz que tem medo de andar sozinho. "Vou sempre com um colega", afirma.


O ticuna Clarício Manoel Batista, 32, é professor do ensino fundamental e estuda pedagogia na UEA (Universidade Estadual do Amazonas), em Tabatinga. Ele foi um dos primeiros a assumir a homossexualidade na aldeia Umariaçu 2. "Alguns me discriminam -indígenas daqui, não-indígenas também. Fico calado, não falo nada. Eu não ligo para eles", diz.


Clarício disse que contou aos pais que era gay aos 16 anos. "Meu pai não me maltratava porque sempre gostei de estudar, sempre fiz tudo em casa: limpeza, comida, lavar louça."
Questionado se foi pelo trabalho doméstico que ganhou respeito em casa, ele confirmou. "Na verdade, eles [os pais] não queriam que eu fosse assim [gay]. Eles não gostam. Dizem: ninguém gosta desse jeito."


O antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) escreveu que há registros de homossexualidade entre índios desde ao menos o século 19. Em Mato Grosso, ele estudou os cadiuéus, que chamavam o homossexual de kudina -que decidiu ser mulher.


O cientista social e professor bilíngüe (português e ticuna) de história Raimundo Leopardo Ferreira afirma que, entre os ticunas, não havia registros anteriores da existência de homossexuais, como se vê hoje.
Ele teme que, devido ao preconceito, aumentem os problemas sociais entre os jovens, como o uso de álcool e cocaína.
"Isso [a homossexualidade] é uma coisa que meus avós falavam que não existia", afirmou.


Assunto não é tabu, diz antropóloga


Antropólogos como Pierre Clastres (1934-1977) e Darcy Ribeiro (1922-1997) registraram em artigos a existência de casos de homossexualidade nas tribos indígenas do Brasil. Mas, sobre os índios gays contemporâneos, não há pesquisas.


A antropóloga da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) Helena Rangel diz que a homossexualidade é tão antiga quanto a humanidade e que, no mundo indígena, alguns mitos fazem referência a essa opção sexual. "Na sociedade indígena, há uma divisão muito clara do trabalho entre homens e mulheres, então, se um homem quer ser mulher, assume o trabalho feminino. Não é um assunto tabu nem absurdo."


Sobre a maior visibilidade dos homossexuais atualmente, Rangel diz que acredita ser um fenômeno mundial e que não pode comentar especificamente sobre os ticunas. "A homossexualidade tem se tornado um fenômeno mais explícito", disse.


Com relação ao preconceito enfrentado pelos indígenas, ela afirma que a discriminação hoje pode ser maior do que a enfrentada anteriormente, devido à maior aproximação dos índios com a moral ocidental-cristã. (KB)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Casal, vítima de preconceito, será indenizado.

Na sexta-feira, 7, a 9ª Câmara Cível do TJRS determinou que um clube de Santiago, Rio Gande do Sul, deverá pagar indenização no valor de 4 mil reais por discriminar um casal de lésbicas.

Durante o discurso da decisão final, o juiz afirmou que “um beijo demorado, e de língua, ainda que trocado por um casal homossexual, não pode ser tido por uma conduta inaceitável, ainda mais no local em que se deu, um salão de bailes com diversos casais”.

Em junho de 2003, durante um baile de Sete de Setembro, Juliana Maier e sua parceira foram levadas à sala do diretor do clube, Paulo César Monteiro, onde sofreram ameaças por estarem se beijando. Na ocasião, Monteiro afirmou que, caso não parassem com a troca de carinhos, seriam expulsas da festa.


Isso nos mostra duas coisas:
1 - O preconceito, ainda muito presente em nossa sociedade, é acentuado em cidades de cultura tradicionalmente militar, como Santiago.
2 - Preconceito é crime e sempre que formos vítimas devemos denunciar e levar o processo até o fim, por nós e para que sirva de exemplo, evitando que novas atitudes como essa se repitam.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Vergonha na cara

Ontem à tarde, eu e esposa voltando do centro. Como de costume, sentamos no fundo do ônibus, e eu a abracei.
Ônibus pára no sinal, outro pára ao lado. Lotadíssimo. Um cara no outro ônibus fica nos encarando. Esposa me pergunta:
-"Por que tá todo mundo olhando pra nós?"
Faço uma cara de "sei lá", completamente debochada. Nisso, uma voz surge do fundo do ônibus do lado:
-"Cria vergonha na cara!"
Começamos a rir, silenciosamente. Imediatamente à manifestação moralizante do rapaz mal-amado, todos os passageiros de ambos os ônibus nos olham. Certamente viram nossa cara de indiferença em relação ao acontecido.
Claro que é uma situação chata mas, se pelo menos uma pessoa, em um dos veículos, a partir disso pensou que quem tem que criar vergonha é o adorável rapaz sem vida social/sexual, e não as duas moças que estavam quietas indo para casa, já valeu a pena.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Coragem

"Acho engraçado quando alguém chega a meu camarim e diz: 'Que coragem a sua de cantar Eu gosto de homens e de mulheres!'. Poxa, 'coragem' é uma expressão muito antiquada nessa área"
Ana Carolina

Valendo-me das sábias palavras da Diva, introduzo o assunto da minha postagem de hoje. Há poucos dias, uma amiga falou-me que viu eu e minha excelentíssima esposa de mãos dadas pela universidade, e pensou que somos muito corajosas. Não falei nada pra ela, mas vou falar aqui. Não sou corajosa. Apenas sou eu. Andamos de mãos dadas como qualquer casal por que somos um casal como outro qualquer. Levar minha namorada, nas férias, para a casa de meus pais, não foi nada corajoso. Mostrar o apartamento em que vivemos, onde só há uma cama, para minha mãe, não foi nada corajoso. Aparecer na casa dos meus pais com uma enorme aliança na mão esquerda não foi nada corajoso. Só fiz o que qualquer casal normal faria. E somos um casal normal.
Coragem, pra mim, é levar uma vida dupla, é ter que chamar a namorada de amiga, é bancar a solteirona por nunca aparecer com um namorado em casa.

O mundo só vai nos ver como casais normais quando começarmos a nos comportar como tal, e realmente acreditarmos que o somos.


sábado, 25 de outubro de 2008

O homossexual homofóbico



Quero falar hoje sobre algo que, a princípio, pode parecer estranha, mas é - infelizmente - muito comum, a homofobia entre os próprios homossexuais.

São gays que não gostam de lésbicas (ou vice-versa), homossexuais que não gostam de transexuais, várias formas de preconceito. Mas o que quero falar é sobre uma das formas de preconceito, o preconceito quanto ao estereótipo.

São meninos e meninas que "não dão pinta" e discriminam os gays "afeminados" e as lésbicas "masculinizadas". São tabus, construídos ao longo do tempo e que, ainda hoje, sobrevivem. Alguns chegam ao cúmulo de argumentar: - "Não é porque ele(a) é gay(lésbica) que tem que deixar de ser homem(mulher)." É o cúmulo. Se eu usar saia e maquiagem, sou mulher, e se usar tênis, calça e cabelo curto, sou homem? Em um casal gay, um tem que ser forte, másculo e ativo e o outro mais delicado e passivo? Entre duas mulheres, a butch é o homem e a femme a mulher? E se for o contrário? E se as duas tiverem o cabelo curto? E se os dois forem "afeminados"? E se for o contrário?

Não suporto essa visão heteronormativa que alguns homossexuais têm de que em um relacionamento um(a) tem que ser o "homem" (ativ@) e outr@ a "mulher" (passiva). Se são duas mulheres, são duas mulheres e pronto! Nenhum homem!

Creio que não adianta criticar os heterossexuais homofóbicos quando se chama o vizinho de bicha e a vizinha de machorra! Vamos, primeiro, combater esse preconceito, para depois pensar em acabar com o preconceito do mundo.

É o que eu penso

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Ativismo

A muitos, ativismo significa integrar uma ONG ou participar da Parada Gay. É válido, mas não é só isso. O primeiro passo para acabar com a Homofobia da Sociedade, é acabar com o preconceito que há dentro de cada um de nós. O mundo só vai nos ver como normais, quando nós mesmos nos tratarmos assim. Creio que passear de mãos dadas com minha namorada como um casal normal, que somos, é um ativismo muito mais simples e eficaz do que freqüentar a Parada Gay que, infelizmente, é muito mais festa que luta.